Morrer normalmente não é uma coisa legal, eu disse normalmente. Têm vezes que a morte é tudo o que a gente deseja, mesmo assim ela continua não sendo uma coisa muito legal. E vê-la a dita cuja bem de perto três vezes na mesma noite foi, digamos…um tanto, assustador. Bom, morrer, morrer eu não ía, mas consequências pesadas aconteceriam se uma das três tragédias anunciadas se concretizassem.
Tudo começou com uma festa. Final de 2007, aniversário de um amigo (coitado dele, ele nasceu no dia 25 de Dezembro, só ganha um presente). Terça, festa hip-hop numa famosa balada em Curitibópolis, liguei para a falecida ex-miss blue para irmos:
- Só vou se formos de carro – essa foi a única condição dela.
Meu irmão mais velho estava de férias e o carro dele estava na garagem de casa me chamando, mas eu não tinha carteira na época:
Pensamento malígno: “Vai, foda-se, vai ser legal!”
Pensamento bonzinho: “Não! Teu irmão vai ficar nervoso se você fizer isso…”
Detalhe. Esse era a única coisa que ele tinha de valor, um carro modelo 1995, que valia mais ou menos uns R$7.000,00, mas que ele estava contando para vender em breve e conseguir dar entrada noutro carro melhor, numa casa ou wharever. Outro detalhe, só estou escrevendo este post agora pois meu irmão já vendeu esse carro, senão essa história ficaria guardada para todo o sempre.
Cheguei de carro às 23:00 para buscar a ex como combinado e fomos para a festa.
Já na festa, tudo muito bonito, tudo muito legal. Muito bolo, dança e diversão! A noite “dentro da casa noturna” foi perfeita! A não ser por um detalhe:
Uma garrafa de Vodka!
Não, eu não fiquei tropicando as pernas, nessa época eu não bebia ainda (isso é história para outro post). O problema foi que meu amigo aniversariante(vamos chamá-lo de João) e outro amigo (este se chamará José) que nos acompanhavam enxugaram todinha a garrafa!
Deu a hora de ir embora. Legal. Cadê os dois?
Mais uma meia hora para procurá-los e estávamos todos na fila para pagar. Enquanto estávamos lá, o José, bebum número 2, quase vomitou no meu ombro, ombro no qual ele se apoiava e tirava uma soneca em pé.
Essa foi apenas a introdução da noite que poderia ter se tornado a mais trágica da minha vida!
Quase #1
Assim que saímos da festa, pegamos o carro, o José, sim, aquele que quase me deu um banho na fila, saiu dirigindo seu carro (não me pergunte como).
Estava com o meu ** na mão. Não tinha carteira, minha ex tinha. Ok, ela dirigia e eu apenas dirigia no caminho da casa dela até a minha.
Primeiro fomos levar o João até a casa dele, ele estava ultra mega bebaco, portanto, estava no banco da frente.
O carro do meu irmão tinha um problema. Na verdade esse problema era eu quando andava no passageiro, um dia fui abrir o vidro e arranquei a manivela, a partir desse dia o vidro do passageiro nunca mais se abriu.
Estávamos nós três no carro, a ex no volante, João no passageiro com o vidro fechado e eu atrás, cuidando para que ele não vomitasse dentro do carro.
Meu pensamento era o seguinte:
Se o João vomitar dentro do carro, esse cheiro horrível ficará eternamente, meu irmão ficará furioso e vai querer me matar!
No momento que esse pensamento acabou. O maldito bêbado fez o sinal de que o gorfo estava vindo e que faria tudo ali mesmo no painel do carro. O terror se espalhou, minha ex estacionou o carro no desespero e eu gritei!
“Segura isso aí peloamordetudooqueémaissagrado!”
O carro parou no canto da rua, a porta se abriu, o vomito saiu. Você sabe aquele espaço mínimo que fica entre o carro e o meio fio? Então, foi ali mesmo que o vômito ficaria depositado pelo resto da noite. O tiro foi de uma perfeição que você não imagina. Acho que se fosse atirado 0.2 segundos antes, ainda pegaria no carro e eu estaria morto!
Quase #2
Eu sei, eu não iria morrer se o João vomitasse dentro do carro. Eu estaria completamente fudido apenas, mas morto não. Mas se eu não tivesse ficado no quase na segunda tentativa que a dona da foice tentou me pegar. Sim, eu não estaria escrevendo para você aqui, com certeza, no máximo estaria de cadeira de rodas.
Deixamos o João em casa e a ex dirigia tranquilamente para sua casa, faltando umas 4 ou 5 quadras, o carro, grande vilão da história, começou a dar sinais de que não queria mais trabalhar. Quando ela parava nos cruzamentos, ele dava trancos e mais trancos para acelerar.
Quando estávamos num cruzamento com uma rua mais movimentada. O carro morreu bem no meio do cruzamento. Pensei “tudo bem”, difícil vir um carro agora, está muito tarde, “qualquer coisa eu desco para empurrar”.
Olhei para a minha direita e estava vindo um carro em minha direção. “Ah ele está longe, vai notar que o carro está com problema.” O carro se proximava numa velocidade não muito confortável. Se o choque ocorresse, talvez uma perna, talvez a vida iria pro saco. Fiquei calmo, tão calmo que minha mão agarrou o banco com a força necessária para levantar um carro.
O outro carro continuava vindo.
Na hora H (agá), o outro carro deu um sinal de luz e desviou não diminuindo a velocidade e virando no último instante antes da batida.
Nasci de novo.
Quase #3
Tudo bem, passamos ilesos da batida. O carro pegou novamente. Mas começou a vir um cheiro estranho do capô. Pensei:
“Já era, fundi o motor! Tou morto!”
Aos trancos e barrancos, chegamos na casa da ex. Paramos o carro e algo “visivelmente” estava errado, um cheiro muito estranho e uma fumaceira muito densa saindo do capô.
Momentos de tensão.
Surgiu o último personagem desta história. O porteiro do prédio da ex. Ele já chegou dizendo que foi mecânico, que trabalhou não sei onde, blá, blá, blé, blé!
Ele disse:
“É a água do motor, o motor tá esquentando por causa da falta de água”
Ele foi encher uma garrafa de 2 litros de água enquanto eu me debatia para abrir o capô, que estava queimando. Abri, encontrei o compartimento de água e o abri. Saiu muita, repito MUITA FUMAÇA de dentro dele… ficou assim pelos próximos 30 segundos.
Lá foi o porteiro colocar água.
Momentos de tensão. [2]
Ouvi um estalo! Era a água gelada (na verdade em temperatura ambiente) chegando no motor fervendo! Pensei que fosse explodir! E se explodisse ou apenas se estragasse alguma coisa no carro, eu estava morto!
“Depois desse dia, descobri que para se colocar água no motor de um carro, este deve estar ligado.”
Esperamos mais uns 20 minutos, até a temperatura do carro ficar razoavelmente boa para dirigir. O motor estava bom e eu, vivo!
Cheguei em casa, inteiro, com as duas pernas. O carro também estava inteiro, sem vomito e com o motor fucionando. Agora meu irmão leu esse post, vai querer me encher de porrada! Sumi!
[photos by matthijs, indhslf72 e Patrick Dockens]


