
Há dois anos, quando comprei um PC melhorzinho para poder jogar alguma coisa que preste online (BattleField, Counter Strikes e derivados) vi um joguinho que muito tinham me falado e comentado, um joguinho chamado Braid. Um carinha engomadinho que corre para frente e para trás e pula matando bichinhos, tipo o Super Mário.
O jogo foi desenvolvido por Jonathan Blow, na minha opinião, aspirante a genio da criação de games. Não podemos compará-lo aos grandes nomes ainda, mas seu game de estréia: Braid; chuta bundas e explode cabeças.
Se você ainda não jogou e tem vontade, o jogo está bem baratinho no Steam. A partir de agora vou citar coisas do jogo com expoilers!
Já no primeiro mundo (que na verdade é o segundo, pois o final do jogo é o epílogo) você depara-se com uma breve introdução do nosso personagem engomadinho: Tim. Ele fez algum erro, está completamente arrependido do que fez e gostaria de poder voltar no tempo para consertar este terrível erro para salvar a princesa (meio besta eu sei). Também são descritas passagens filosóficas como: “Quando erramos tornamo-nos melhores. Mas as pessoas nos culpam por nossos erros e não exaltam o fato de termos aprendido com ele”. Até aí, beleza. Você está pouco sefu com esse papo de erro, acerto, passado ou presente. Quer apenas JOGAR A PORRA DO JOGO!
Quando o jogo começou, tudo verde, tudo lindo, uns bichinhos carudos andando e uns quebra-cabeças com chaves e cadeados. O objetivo é pegar as peças do quebra-cabeça que simula algo como as memórias do nosso herói. Então que na terceira tela, eu fui acertado por um desses bichinhos e pronto, morri. Volta do início? O Tim ficou ali estático e apareceu para apertar a tecla shift. Apertei e O TEMPO COMEÇOU A VOLTAR, meus miolos explodiram! Foi muito foda!
No outro dia, já tinha pegado quase a maioria das peças. Faltava as mais complicadas: aquelas FIUDUMAÉGUA do quinto mundo que me fez quase socar o monitor!
Após pegar todas as peças, vai-se ao último mundo, chamado de mundo 1. O tempo está correndo ao contrário, menos você. Passa-se umas fases e enfim chega ao ato final: o vilão está ali e a princesa fugindo dele. Você (Tim) correndo por baixo e a princesa por cima colaborando um com o outro para passar. Ela puxa uma alavanca ali, abre uma porta para você. Ele puxa uma alavanca lá embaixo para dar passagem a ela. Tudo lindo e romântico para um final feliz. Ao chegar no final da fase, o tempo para e começa a correr normalmente. Você aperta o shift para o tempo voltar e vê a verdade, ela não está colaborando para ficar com você. Ela simplesmente está FUGINDO DE VOCÊ! O vilão na verdade está mais para um príncipe salvador, que pega ela no colo e sobe a corda, deixando Tim sozinho.

Momento em que Tim cai na real!
Na época, achei o final genial. Mas tudo não passava de uma história de amor, arrependimento e sofrimento, blá, blá e blá.
Indiquei o jogo para muita gente, dizendo que era genial, inteligente, desafiador e divertido! Muitos concordaram, outros disseram méh. Então, um dos que indiquei, contou-me que no jogo tinham 8 estrelas secretas para pegar. Eu não sabia disso, mas nunca me cocei para jogar novamente e tentar zerar o jogo por completo.
Eis que semana passada assisti ao documentário “Indie Gamer”, filme que conta a história dos desenvolvedores do Super Meat Boy, Fez e do Braid. Excelente filme por sinal. Após o final do filme fiquei com vontade de pegar as 8 estrelas, peguei o jogo novamente e detonei em algumas horas. Depois comecei a caça às estrelas. Das oito, peguei duas (é complicado mesmo!) Curioso para ver o final do jogo, fui e procurei no youtube o vídeo do ato final (não como pegar as estrelas, não sou cheater) com todas as estrelas. Pensei, nesse final ele salva a princesa e todo mundo fica feliz. ERRADO DE NOVO!
A princesa simplesmente EXPLODE quando você encosta nela! Não, você não leu errado! Ela EXPLODE e desaparece!
Curioso para saber uma explicação sobre isso, comecei a procurar na internet sobre isso e minha cabeça explodiu mais uma vez! O final do jogo é aberto, você interpreta o que quiser. A corrente mais forte diz que Tim era um engenheiro do projeto Trinity, a primeira explosão nuclear da história, e a princesa é a representação da bomba. Após os testes da Trinity, outras duas bombas nucleares foram feitas e essa parte da história você já sabe.
Durante o epílogo do jogo (o final), existem alguns trechos de textos escondidos e entre esses textos existe uma citação real feita por Kenneth Bainbridge, diretor dos testes, após a explosão da bomba:
“Now we are all sons of bitches.”
Jonathan Blow conseguiu unir um puta fato importante da história, com um puta jogo de computador onde o desejo de voltar no tempo é expresso não apenas em diálogos e textos. Está presente em toda a jogabilidade! Se você ainda não jogou, dê uma chance à Braid e surpreenda-se.





romulodl
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