O peso da idade












chuva

“Hoje eu fiquei com medo de ser assaltado voltando do trabalho, foi muito estranho na verdade.

Estava chovendo, uma chuvinha mequetrefe, mas era uma chuva. Cantarolava a música do Justin Bieber que ouvi o dia inteiro na rádio (beibe, beibe, beibe). O chão ainda estava molhado da chuva forte que tinha passado por ali algumas horas atrás. Andava pulando entre as poças, olhando para o chão pois o cansaço e a rotina tinham me esmagado e tomado todo meu tempo e esforço.

Avistei cinco sujeitos usando blusas no bom e velho estilo XXL, vindo uma quadra a frente em minha direção. Num instante eu parei. Eu não, meus joelhos. Pararam e mativeram as pernas esticadas por completo, sem querer dobrar. O único movimento que permitiam era dar meia volta e entrar no saguão do prédio do meu escritório no centro da cidade.

Faltou falar que eram onze da noite.

Pedi um táxi e menti para mim mesmo que a chuva estava pesada demais para poder seguir caminhando.”

Nunca Roberto teve esse problema em sua vida. Sempre foi descuidado e também sempre teve um pouco de sorte. Nunca sentiu medo desse jeito antes. Sempre teve um bom pensamento sobre as pessoas. Soa um pouco ingênuo, mas ele não imagina que alguém assim, num dia de chuva, fosse roubar alguma coisa que, por sinal, nesse momento não tinha.

Mas parece que com o tempo as coisas vão mudando e o peso da idade vêm chegando. Não digo fisicamente, ele está em forma, nunca foi sedentário, sempre praticou esportes, o bom e velho futebol de final de semana com os amigos. Mas é o peso da responsabilidade e do fardo que leva junto com ele. E as pessoas que ele ama? E as pessoas que amam ele? Que ele quer ficar junto? Compartilhar algum segredo, contar alguma piada, dar risada, chorar?

O que elas pensariam dele?

Roberto nunca ligou para si mesmo, sempre pensou nos outros em primeiro lugar. Naquela noite seus joelhos disseram para ele o quanto eles se importavam com seu dono.

  • Claudia Polly

    Parabééns Romulo!!! Felicidades mil pra ti!