
Dia 14 de Dezembro de 2010 eu cheguei à essa terra gelada, onde se fala um inglês com uma batata na boca. A primeira impressão foi de turista, sabe como é né, tudo é legal, tudo é maravilhoso e tudo é alegria. Afinal, vida nova, língua nova, moolierada e bebida barata! Vim para cá com um grande objetivo: aprender inglês. Descobri que não se aprende de um dia para o outro e apenas vem com muito estudo somado ao tempo e prática.
Morar desse lado do oceano me levou a analisar como era bom morar no Brasil, também viver desse lado de cá me fez pensar como era horrível morar no Brasil.
O Brasil é visto aqui de fora como um excelente local para se morar e com uma economia crescente, com empregos e boa qualidade de vida. A Europa está em crise, o Euro indo de mal a pior, os países cheios de dívidas e tudo indo mal.
Sinceramente? Eu não achei nenhuma crise por aqui. Talvez nos outros países, como Itália, Espanha e Grécia, a crise esteja pior, por aqui eu vejo a vida fluir normalmente. A seguir vou tecer alguns comentários, verdades e mitos possíveis de notar apenas morando no UK.
Tudo no Brasil é caro: (menos Havaianas e frutas)
Existe um mito Brasil que o custo de vida na Europa é caro e eu digo que não é! Por aqui é “quase” tudo mais barato que se comparado ao Brasil. Comprar várias coisas no supermercado, pagar apenas com uma nota de 20 libras e sair com duas sacolas cheias de comida (com direito a chocolate e sorvete) o bastante para a semana foi uma surpresa para mim que sempre tive como dogma que o custo de vida aqui seria caro. Claro que o custo de vida se torna caro quando você ganha em real e gasta em libras, tudo o que gasta aqui é multiplicado por quase 3.
No quesito lazer, o Brasil é campeão! Os preços beiram o absurdo, eu não consigo mais acreditar que uma televisão de 32 polegadas custe mais de R$ 1000. Enquanto aqui eu posso ter uma igual por 350 libras. O mesmo segue para videogames, computadores e eletrônicos e eletrodomésticos em geral.
Já em serviços, depende. Aqui existem restaurantes baratos e caros, como no Brasil. Mas uma comparação boa é de disk-pizza. Por aqui (pelo menos em Oxford, que eu conheço) Dominos e Pizza Hut são as mais famosas e são caríssimas, paga-se de 20 a 30 libras por uma pizza grande. Quase o mesmo preço do Brasil.
O aluguel é o grande vilão da Inglaterra. Aqui encontram-se apartamentos horrorosos por preços mais medonhos apenas porque eles estão numa região um pouco mais central. Em Curitiba eu pagava R$ 800 de aluguel por um apartamento de 3 quartos à 15 minutos caminhando da praça Carlos Gomes (considere uma região central.) Aqui pago 925 libras por um de 2 quartos na “região metropolitana” de Oxford (se é que posso chamar Kidlington de região metropolitana.) Numa conversa recente com o Nagueva, fiquei sabendo que em Curitiba os preços dos aluguéis estão ficando cada vez mais caros, apartamentos que, há dois anos pagavam-se de R$ 600 a R$ 700, agora estão na faixa de R$ 1200, ou seja, não está lá aquela maravilha também.
O Acre é mais real que a pontualidade britânica:

Pego o trem todos os dias e percebo a organização e que eles tentam fazer o negócio direito. Mas ATRASA, não tem jeito. Quando um trem quebra, fode tudo! Os trens que estão atrás param e atrasos de 30 minutos não são exceções.
Uma das minhas virtudes nunca foi a pontualidade. Sempre tento chegar na hora, dificilmente consigo. No início, achava que o fato de ser um tanto atrasado seria um problema para meu desenvolvimento profissional em Londres. Muitos pelos encravados contrários! Nas semanas de pico (duas últimas do ano, quando o primeiro projeto estava prestes a terminar) trabalhava até tarde da noite. No outro dia chegava às 11:30/12:00 no trabalho normalmente.
Ah! Cheguei hoje 11:30 no trabalho, por pura preguiça.
Os Ingleses são um povo fechado:
O povo inglês é tão fechado como toda mulher brasileira é puta. Desculpe mulherada, esse é estereotipo que vocês têm por aqui, eu vos defendo com todas as armas e argumentos que tenho usando as próprias inglesas como exemplo, ô mulherada vagabunda e bêbada.
Gente, inglês não é fechado, eles são apenas diferentes. É uma outra cultura, é um outro jeito de se relacionar. Eles gostam muito de ir para o Pub, e lá, vocês os conhecem verdadeiramente. Conheço inglês fechado, inglês locão de gole e inglês nerd. Tem inglês de todos os jeitões assim como brasileiro.
Dois anos na Inglaterra, você está falando inglês fluentemente:
Teu rabicó minha nega! Apenas se você se contenta com um inglês level Joel Santana. O aprendizado da língua é uma coisa que demora. Com 2 anos e “bastante envolvimento” com pessoas nativas dá para entender o inglês falado perfeitamente e conseguir ser compreendido perfeitamente. Mas fluência é diferente. Eu corto caminhos, quando quero falar alguma coisa vou pelo fácil, nada de usar gírias ou phrasal verbs (inimigos número 1 de qualquer estrangeiro.) Um exemplo é o blogueiro/twitteiro/vlogueiro/muambeiro Izzy Nobre que mora há 98776443 anos no Canadá e consegue falar um inglês praticamente perfeito. Mas pergunta pra ele se algum canadense acha que ele é nativo? É exatamente a mesma coisa na gringosidade dos ingleses Falandu phortchugueiz.
Fala balão.
Balau.
Balão, ão, ão!
Balaaaaaoooouu, au, au!
Quando puder, faça isso com um gringo
O mais engraçado é ver nego que fez 1 ano de FISK e acha que é fluente sem nunca ter falado com alguém no telefone em inglês e, pasmem, sem ter lido sequem um livro na língua estrangeira. Eu achava que arrasava porque ~ESTUDEI INFORMÁTICA~ e lia livros complicados em inglês. Fiquei pasmo quando descobri que a palavra chat não vale apenas para a internet. No último final de semana eu fui ao cinema ver o filme do Sherlock Holmes e fiquei impressionado como eu entendi bastante coisas do que eles diziam. Claro, uma piada aqui outra ali passaram reto. Mas 80% foi absorvido. Para aprender inglês precisa de muito estudo, imersão e paciência.
Morar fora do país é legal. Dá saudade? Dá. Mas aprender a ver a vida com outros olhos e com outra cultura não tem preço. Hoje estou aqui, meus planos são de voltar ao Brasil, mas não tão cedo. Um feliz 2012 para todos!

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