Ser frouxo é uma arte. É uma coisa que não é para qualquer um, eu sempre estou atento às novas tendências da frouxidão masculina para poder realizar as maiores façanhas “froxísticas” entre os amigos “macho pedadô”.
Ganhei minha fama de frouxo por não pegar ninguém, ou simplesmente ter a mulher ali na minha frente QUERENDO ficar comigo e eu, claro, não fazer nada.
Depois penso comigo mesmo, mulher muito fácil não tem graça (claro que esse pensamento é apenas algo no estilo auto-ajuda). Depois, coisa de cinco, às vezes seis segundos, vem à minha cabeça o arrependimento.
Justo o dia em que eu deixei minha “real e preocupante” imagem de macho frouxo de lado, sou chamado de frouxo. Confira comigo no replay:
——————————————————————————————-
Essa história começou numa bela segunda-feira curitiboca. Sem nada para fazer e convidado pelos amigos para ir até um bar no centro da cidade, conversar e dar algumas risadas. Sempre lembrando que era um dia de semana, apenas mais um dia de cansaço e trabalho.
Muita conversa rolando, risadas, conversas sérias e o sono começou a pintar na minha imaginação como algo realmente real. Comentei com meu amigo imaginário que estava sentado ao meu lado para irmos embora. Ele disse estar sem grana, então disse que emprestaria dinheiro. Estou chamando-o de amigo imaginário apenas para não identificá-lo publicamente.
Tudo o que eu tenho de frouxo, o amigo imaginário tem de pegador e nessa noite não foi diferente. Estava eu olhando para a esquerda, quando viro o meu pescoço e vejo o amigo imaginário beijando uma mulher que parecia estar mais loca que o batman. Isso é ruim. Mas ela tinha uma amiga gatinha. Isso é bom.
Perguntei – Quem é essa? – O amigo imaginário sorriu com aquela humilde cara de “acho que a gente se deu bem” e disse – Sei lá! Acabei de conhecer! E ela tem uma amiga. Estão no bar do lado!
Teeempo……………….“VAMOS AO BAR DO LADO”. Decisão unânime. Pagamos paguei a conta e fomos ao bar do lado.
Chegando lá, as duas estavam numa mesa pequena de quatro lugares. Sentamos como diz o script. No corner da direita: Amigo imaginário e guria mais loca que o batman e eu e a amiga gata no outro corner. Conversamos, demos risadas e elas pediam uma cerveja atrás da outra. Eu não bebo cerveja, mas naquela ocasião abri uma exceção e bebi um copo, eu disse UM COPO, para não ficar com fama de frouxo, totalmente em vão.
Após alguns minutos de conversas e alguns beijos do casal do outro lado da mesa. Comecei a sentir-me inferior e na necessidade masculina de tomar uma atitude perante a amiga gata.
A guria loca disse que ía ao banheiro e saiu da mesa. O amigo imaginário, para não ficar de “empacalove” saiu e também foi ao banheiro. Ok, era a minha chance de agir. Cheguei mais perto falei algumas coisas que minha mente brilhante calcularam e apostaram no aumento da probabilidade de aceitação do meu alvo receber um beijo. Eu falava e me aproximava, me aproximava e armava o bote, quando…ela virou o rosto.
Pensei: fui rejeitado, bote errado.
A mesa se completou novamente e o papo continuou, mas com um tema diferente. Acho que o título daquela conversa poderia ser: E aí Sir Blue? Vai ou não vai? Pois é, eu já sabia que não ía dar em nada.
Cogitei a frase quero ir embora e a loca falou: vamos rachar a conta. Meu pensamento nesse momento passou por um período instável e retrucou, por um copo de cerveja eu terei que dividir a conta?
Veio a conta, algo menos de trinta reais. Ok, divido por quatro até que não sai caro, não vou ser babaca e encher o saco com isso. Estávamos tirando as notas e começando a contar o dinheiro quando veio o momento da noite. O momento que justifica o título deste post.
A guria mais loca que o homem-morcego voltou ao assunto “pegue minha amiga agora!” Mas com uma temática um pouco mais agressiva. Ela perguntava se eu não iria fazer nada. Fato, eu já tinha feito e tinha sido negado. A amiga gata tinha acabado um namoro no dia e não queria ficar com ninguém. Não era eu, em pela segunda-feira cansada, que seria o consolo da garota.
O sono bateu, queria ir embora o mais rápido possível, queria pagar logo aquela conta e me levantar do bar.
A loca pega um punhado de amendoim que tinha sobrado na mesa e atacou na minha cara dizendo essas palavras: VOCÊ É FROUXO! NÃO FAZ NADA! (de fato sou, mas nesse dia tinha cumprido com meu papel de ser humano do sexo masculino solteiro).
Após ter sido acertado em cheio pelo amendoim na face, meu sono reagiu e disse para eu ir embora o mais rápido possível. Também disse que se mais um amendoim ou qualquer coisa comestível o acertasse, coisas ruins aconteceriam.
Levantei e disse: VOU EMBORA, NÃO VOU PAGAR PORRA NENHUMA! Olhei bem sério para a loca e falei: PAGUE ESSA PORCARIA E COMA ESSE AMENDOIM! Olhei para o amigo imaginário, que nesse momento encontrava-se com uma cara de “não me deixe sozinho aqui sem dinheiro”, e falei para irmos embora porque não valeria a pena ficar mais tempo com essas duas.
Ele ficou alguns segundos parados. Acho que estava pensando mais ou menos assim: o amigo frouxo que tem dignidade ou o decote dessa loca que me beijou sem nunca ter falado comigo? Demorou. Fui embora.
No caminho de volta para a minha casa, liguei para o amigo imaginário pensando que ele tinha ficado bravo por ter avacalhado com sua noite, mas o que eu ouvi no telefone foi:
O que você fez foi do Car-alho! As gurias ficaram ali sem palavras! E pagaram tudo sozinhas! Porque quando elas me pediram dinheiro, eu disse que concordava com você e que você é meu amigo e que isso não se faz e blá blá blá…saí sem pagar.
Um dia essa história continua…
[photo by FJTU]
