Essa é a incrível história de um maloqueiro delinquente que tentou me assaltar três vezes! Não, não foi no mesmo dia! Não! Não foi na mesma semana, foram em anos diferentes e em períodos diferentes da minha vida. A única coincidência foi que as três foram dentro do ônibus.

Assalto 1:

Eu era um garotinho inocente e indefeso. Tinha acabado de me mudar para a “cidade grande” <= Curitibópolis. Ainda estava no cursinho e tinha apenas alguns meses de vida longe do berço da mamãe e do papai.

Estava indo para a aula dentro do biarticulado com minha mala do cursinho quando lá do fundo do ônibus, do meio da nuvem de pessoas, aparece a figura mais estranha e mal vestida e olha para a minha mala como um cachorro fica olhando para aqueles frangos rodando nas padarias no domingo.

Na minha mala estava escrito “Colégio X” e ele olhou para a pessoa ao lado e disse:

“O colégio X é particular?”

Após ouvir o sim da pessoa, ele veio ao meu encontro e fez a tal pergunta:

“Tem um real pra dar?

Eu, com meu @#$% na mão disse o básico né:

“Não

O roteiro estava básico demais, geralmente as coisas funcionam assim: o ladrão pergunta se a vítima tem um real, quando ela responde que não, ele revida com:

“Então me dá tudo o que você tem!”

Acho que quando esse filme passou na cabeça dele e ele tentou dizer isso para mim, eu já estava longe, desci no primeiro tubo que o ônibus parou e fui meio que junto com a nuvem de pessoas. Tá certo, tive que voltar à pé para casa uma boa parte do caminho mas não perdi nada naquele dia (já fui assaltado outras vezes).

Assalto 2:

Esse eu passei menos medo porque estava com o pão, a faca e o doce de leite na mão. Era um domingo ou um sábado (não me vêm certo na cabeça), a única coisa que eu lembro é que era um final de semana porque eu e meu irmão estávamos indo almoçar na casa da minha vó, sabe como é né, homens que moram sozinhos no final de semana recorrem aos familiares no quesito refeições :) . A parte 2 dessa história aconteceu mais ou menos 1 ano após a primeira vez.

Entramos eu e meu irmão no biarticulado vazio, fomos para o fundão como o de costume e sentamos cada um em uma janela. Dois tubos depois entra o personagem principal dessa minha história com o mesmo figurino: roupas de malaco e fedendo. Nessa segunda parte a vítima não fui eu e sim meu irmão, mas eu tinha que contar aqui para fechar a trilogia né?! Ele chegou para o meu irmão e disse (pra variar):

“Tem um real?”

Meu irmão riu e disse bem assim:

“Tá vendo aquele ali, é meu irmão. Você quer mesmo um real?”

Fiz “aquela” cara de homem malvado e nosso amigão saiu com o rabinho entre as pernas, possivelmente para encontrar outra vítima com um real no bolso.

Assalto 3:

O “gran finale” da história começou como? Isso mesmo, eu chegando no ônibus! Foi ano passado, estava saindo da faculdade, atrasado, correndo, contando as moedas. Entrei no tubo, lotado e uma pessoa me cumprimentou. Sabe quando você está com a cabeça em outro lugar, totalmente fora do mundo? Respondi com o padrão: “OPA!” Fazendo sinal de positivo. Adivinhe quem era?

Ele entrou no ônibus logo atrás de mim, dessa vez o ônibus estava lotado, eu já não era mais aquele menininho com medo da “cidade grande” e já tinha dado alguns corridões em uns malacos por ai.

O roteiro não muda, acho que ele não reparou que a moeda valorizou ou algo assim, continuava pedindo o mesmo “um real”, se fosse eu já estaria pedindo cinco.

“Tem um real pra dar?

Ele disse, eu olhei para ele e me lembrei das outras duas vezes anos atrás e respondi com um tom agressivo:

“Não!”

Ele respondeu meio assustado:

“Então você…(um breve silêncio)…vai ENCARAR?

Não me aguentei e caí na gargalhada, sabe aquele ataque de riso que não dá para parar? As pessoas que estavam por perto tinham notado que aquela cena era uma tentativa frustrada de assalto, mas ao me verem dar risada ficaram mais calmas, as senhoras até pararam de apertar e abraçar suas bolsas.

Saí de onde eu estava e fui para o fundão. Nosso amigo ficou indignado e desceu do ônibus, coitado dele, nem para assaltante o cara serve. Após o ocorrido, fiquei dando risada e lembrando das outras vezes que tinha o encontrado.

Créditos das fotos: foto 1, foto 2 e foto 3


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Já Comentaram...

  1. 1
    Bambolo
    Setembro 30th, 2008 at 9:36 pm

    hahahah melhor eh quando chega no terminal e vem aqueles 2 bunéco p pedir dinheiro “tem 1 real ai pra da um intera pro gole?”
    hahahah só se eu for beber junto e soh se for bacardi com sweppers!!

  2. 2
    Gargalhada
    Outubro 1st, 2008 at 9:19 am

    Tô chorando de rir!
    Muito boa essa trilogia!
    Daria uma ótima “Novela Curitibana”
    :)

Já leu até aqui?! Então comenta!

(se tiver um)

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