Galvão trabalhou feito um maluco no período da manhã e, além de toda carga do trabalho, ele também ficou de organizar um time de futebol para o “glorioso” campeonato da empresa. Sentou ao lado do colega de trabalho, que é uma boa pessoa, apesar dele achá-lo um pouco desleixado e preguiçoso.
Incitou uma discussão. Sabia no que daria:
“Esse ano, o campeonato de futebol da empresa será mais rigoroso. Falaram que todo e qualquer carrinho será dado como falta.”
O amigo, como belo e honesto “porrador” na arte do futebol quase rodou a baiana e disse que não concordava com o ato. Afinal, futebol em sua opinião não é esporte para bibas que ficam dando xilique apenas porque seu adversário demonstrou ser mais macho usando de uma técnica máscula de provar sua superioridade física: o carrinho.
Galvão falava que carrinho era falta e quem desse seria expulso sem dó e que a punição seria severa, talvez eliminando o jogador do campeonato. Seu amigo gesticulava sem parar e falava cada vez mais alto igual a um típico chefão de família italiano dizendo que futebol sem carrinho não era futebol. Que os brucutus fazem parte do esporte.
Foi no google. Pesquisou sobre carrinhos, perdeu seu horário de almoço apenas para provar que seu intelecto era superior ao de seu colega de trabalho. Galvão mandou um email todo embasado mostrando que estava certo, que a FIFA pune quem usa dessa técnica violenta, que juízes são instruídos a dar cartões para qualquer tipo de carrinho, que essa jogada deve ser banida do futebol.
Trinta e dois minutos passados do segundo tempo. Seu time ganhava de 1 x 0 do adversário, o atual campeão do “glorioso” campeonato. O habilidoso atacante do time adversário, aquele estagiário que sempre está no café e nunca trabalhando, aquele que parece que só trabalha na empresa porque tem seu lugar garantido no ataque do time campeão, tomou a bola do zagueiro e driblou o goleiro.
Galvão salva a pele do time e é expulso com o ato, deu um carrinho na entrada da área. Seu time ganhou o jogo mais importante da primeira fase do campeonato. “Foi necessário” disse ele.
